Podemos dizer que as redes sociais são a grande modinha da internet. Mas acho que o termo não é bem modinha, pois elas já são “modinha” há muito tempo. As redes sociais e empresas baseadas nelas se tornaram um modelo de negócios tão comum que não representam mais grande novidade para os usuários, mas sim para as empresas. Agora que as empresas estão aprendendo a tirar o máximo de proveito das redes sociais, porque finalmente estão percebendo a eficiência e as vastas possibilidades que essas plataformas oferecem.
Primeiramente, qual é o produto das empresas focadas em Redes Sociais, como o Facebook?
Informações pessoais. Isso mesmo, o Facebook vende as suas informações pessoais para empresas. Seja para fazer uma divulgação de seus produtos e serviços mais focada para seu público-alvo, ou até mesmo apenas para fazer análises sobre o comportamento dos consumidores em seu nicho de mercado. Dessa forma, o que você posta na rede social, seus gostos e hobbies, se tornam o maior ativo desse tipo de empresa. Um ativo intangível, diferente de produtos e serviços.
As empresas utilizam isso de inúmeras formas, por exemplo, para enviar e-mails diretamente para o público-alvo que desejam. Através das informações disponibilizadas em redes sociais, as empresas podem identificar o comportamento de consumidores de determinadas faixas etárias, sexo, classes sociais e até relacionar que outros produtos as pessoas que compram seus produtos também se interessam. Tudo isso é fundamental para traçar novas estratégias de Marketing, que se tornam bem eficientes por estarem atingindo apenas as pessoas que interessam, ou seja, os clientes em potencial.
Por ser uma propaganda focada, a probabilidade de venda é maior, dessa forma o ROI (Retorno sobre Investimento) desse tipo de propaganda é muito maior do que o de confeccionar material publicitário, como banners e outdoors, o que a torna um prato cheio para empresas. Muitas delas, ainda por cima usam as opiniões dos consumidores para criar novos produtos e aperfeiçoar os antigos, como o caso da Pepsico, que lançou um pacote de 5 quilos de Doritos, depois de uma campanha em uma comunidade do Orkut. Outro exemplo é a Dell, que atendendo à pedidos de clientes em Redes Sociais, lançou computadores com o Sistema Operacional Linux, mais precisamente com a distribuição Ubuntu.
Além disso, as Redes Sociais estão se tornando meios de comunicação diretos entre as empresas e os consumidores. Muitas empresas estão usando sua conta no Twitter como SAC. E tem sido mais eficiente do que o telefone. Você posta uma reclamação mencionando uma determinada empresa e elas respondem na hora. O motivo é simples, as empresas sabem que os clientes falam sobre elas nas Redes Sociais, bem e mal e nada vai mudar isso. Porém, elas estão usando as Redes Sociais para responder aos clientes e mostrar que podem resolver seus problemas, e fazem isso de forma aberta, através do Twitter ou Facebook, para que todos possam ver que elas foram “atenciosas” com o cliente, o que não pode ser feito pelo telefone. Afinal, ninguém gosta de ligar para SAC né? Em geral, você é repassado diversas vezes e ninguém resolve seu problema, além disso, você fica sempre ouvindo aquela musiquinha chata e demora muito tempo para ser atendido. Por isso, os clientes estão utilizando esses recursos para estabelecer um contato mais rápido com as empresas.
Em toda essa questão de informações pessoais, fala-se muito em privacidade. Muita gente reclama das políticas de privacidade das redes sociais e até resiste a utilizá-las por causa disso. Mas na minha opinião quem usa redes sociais não tem direito de reclamar de privacidade, já que o uso é opcional. A própria pessoa escolheu entrar na rede social, escrever seu status e postar suas fotos. Cabe ao bom-senso saber utilizar esses recursos de modo a não denegrir sua própria imagem ou criar situações constrangedoras. Quer menos privacidade que uma Rede Social chamada Foursquare, na qual você posta onde está? Mas acontece que você só posta essa informação se quiser, e ela tem sido muito útil, para encontrar informações sobre restaurantes e estabelecimentos comerciais e ver comentários de outras pessoas sobre aquele estabelecimento, tais como “experimente o risoto, é imperdível”, ou “comida boa, mas muito caro”. A versão mais recente do Foursquare mostra até as promoções nos estabelecimentos comerciais mais próximos.
Aos resistentes às Redes Sociais, devemos lembrar que a uns 20 ou 30 anos também havia a mesma resistência para utilizar a própria internet, hoje ela se tornou tão parte da nossa vida que substituiu hábitos e nos trouxe facilidades como Internet Banking, pagamentos online e até exigências burocráticas, tais como a Declaração do Imposto de Renda, que agora só pode ser transmitida pela internet. Por esses e outros exemplos, vejo que o mesmo pode acontecer com as Redes Sociais, onde as empresas estão utilizando cada vez mais os seus recursos para atingir os clientes, e quem ficar de fora, pode perder muitas vantagens.
Alguns dizem que é perigoso entrar em Redes Sociais, nem discordo totalmente disso. Mas talvez seja mais perigoso ficar fora delas.